quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

O que desaprendi

Nesta caminhada maluca pelas questões da Hanseníase, que para mim só começaram em 2002, juro que eu pensei que tudo era de verdade, que as pessoas estavam mesmo empenhadas em resolver e trabalhar para que a doença fosse eliminada e que os abraços e beijos dados nos pacientes, ex pacientes e até em nós, filhos separados ou mesmo os filhos e familiares que hoje podem conviver com os doentes, fossem demonstrações sinceras de afeto e até de reconhecimento pela jornada despedaçada que nos obrigaram experimentar com o Isolamento Compulsório.
Não era.
Depois de tanto tempo, meu coração começa a perceber e a sentir que tudo é mentira, é uma farsa, é um embuste.
Na maioria das vezes é só pra cumprir horário, obrigações profissionais, nada mais do que um trabalho, afastado completamente da compreensão de que a Hanseníase foi e ainda é uma doença de negligências, de afagos, de distanciamento.
Até naquelas pessoas que, como eu, sofreram consequências diretas em suas vidas pessoais, seja por ter estado doente, seja por ser filho de doente, enfim, por qualquer motivo, percebo que, ao estarem trabalhando nisso, absorvem a personalidade do esquecimento e arquivam sua condição de participante do caos para profissional do futuro. Demonstram que nunca foi com eles, nunca será com eles e estão ali porque a proximidade com a doença os levou a isso, nada mais.
Me pergunto sempre porque antes de eu começar a mexer neste vespeiro, ninguém se preocupou com os prontuários mal arquivados nos educandários; ninguém olhou ou fez algum projeto para ser aplicado na desospitalização nos anos 60, ninguém sugeriu saber como vivem os idosos remanescentes das ex colônias; ninguém brigou por terras, ofereceu uma satisfação sobre bens dos que foram jogados nelas; ninguém quis aproximar famílias que haviam sido separadas.
E também me pergunto por que seria eu a fazer isso?
Enquanto considerei ser uma missão, fiz o que pude.
Rasguei minha vida para estar dedicada a passar a limpo as histórias.
Mas hoje eu desaprendi.
Não serei como a maioria.
Mas permanecerei trabalhando em silêncio e em solidão, porque jamais poderei ser duas pessoas como muitos desejam e jamais poderei tirar de minha alma o que meu sangue faz borbulhar dentro do meu peito: justiça.
Teresa Oliveira



segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

No dia 30 de novembro, o Hansenpontocom abriu sua agenda e instalações para que nosso jurídico pudesse atender alguns familiares de ex pacientes de Hanseníase para informações jurídicas, entregas de documentos, entrada de ações.
Foi uma tarde de missão cumprida, onde reafirmamos nosso comprometimento com atos sérios e que efetivamente irão somar na vida de todos nós.
Agradeço à parceria do escritório  Azarias & Cunha.















sábado, 2 de dezembro de 2017

ATIVIDADES DE 2017
(prestando contas do nosso trabalho)
16 fev: Ministério Público Estadual com filhos separados
21 fev: Divisão de Hanseníase - SES
05 mar: Itobi com filhos separados
06 abr: Ministério Público Estadual
26 abr: Ministério Público Estadual
17 mai: Encontro Avaliação Divisão de Hanseníase
18 mai: Encontro Avaliação Divisão Hanseníase
20 jun: Ministério Saúde - Brasília
21 jun: Ministério Saúde - Brasília
22 jun: Ministério Saúde e Supremo Tribunal Federal (protocolado pedido de indenização filhos separados) - Brasília
23 jun: Ministério Saúde - Brasília
31 jul: Divisão Hanseníase, Ministério Público Estadual e Arquivo Público do Estado de São Paulo
19 ago: Ordem de São Lázaro de Jerusalém - Cátedra de Hanseníase
21 ago: Fundação Paulista contra a Hanseníase
12 set: Divisão de Hanseníase
19 set: OAB Jabaquara a convite
10 out: Ministério da Saúde - GT Comunicação - Brasília
13 out: Equipe jurídica Hansenpontocom - início dos trabalhos para processos indenizatórios
22 a 29 out: Ministério da Saúde - Projeto - Gurupi - Tocantins
30 nov: Divisão de Hanseníase e Processos Indenizatórios
O que foi executado:
- Encaminhamento junto ao Ministério Público Federal com a coordenação da Divisão de Hanseníase na preservação dos documentos dos filhos separados do Estado de São Paulo.
- Início da Cátedra de Hanseníase na Ordem de São Lázaro de Jerusalém com universidades nacionais e internacionais
- Ação indenizatória individual dos filhos separados
- Parcerias com BRASA e DAHW para execução do Projeto ASA
- Atendimentos a pacientes de Hanseníase em situação de recidiva.
- Orientações diárias.



Mais um ano terminando.
Quero muito agradecer aos meus parceiros de sempre: Linda, Kézia e Eliezer.
Sem palavras para agradecer o quanto são importantes para que este trabalho possa seguir.

ATIVIDADES DE 2017
(prestando contas do nosso trabalho)
16 fev: Ministério Público Estadual com filhos separados
21 fev: Divisão de Hanseníase - SES
05 mar: Itobi com filhos separados
06 abr: Ministério Público Estadual
26 abr: Ministério Público Estadual
17 mai: Encontro Avaliação Divisão de Hanseníase
18 mai: Encontro Avaliação Divisão Hanseníase
20 jun: Ministério Saúde - Brasília
21 jun: Ministério Saúde - Brasília
22 jun: Ministério Saúde e Supremo Tribunal Federal (protocolado pedido de indenização filhos separados) - Brasília
23 jun: Ministério Saúde - Brasília
31 jul: Divisão Hanseníase, Ministério Público Estadual e Arquivo Público do Estado de São Paulo
19 ago: Ordem de São Lázaro de Jerusalém - Cátedra de Hanseníase
21 ago: Fundação Paulista contra a Hanseníase
12 set: Divisão de Hanseníase
19 set: OAB Jabaquara a convite
10 out: Ministério da Saúde - GT Comunicação - Brasília
13 out: Equipe jurídica Hansenpontocom - início dos trabalhos para processos indenizatórios
22 a 29 out: Ministério da Saúde - Projeto - Gurupi - Tocantins
30 nov: Divisão de Hanseníase e Processos Indenizatórios
O que foi executado:
- Encaminhamento junto ao Ministério Público Federal com a coordenação da Divisão de Hanseníase na preservação dos documentos dos filhos separados do Estado de São Paulo.
- Início da Cátedra de Hanseníase na Ordem de São Lázaro de Jerusalém com universidades nacionais e internacionais
- Ação indenizatória individual dos filhos separados
- Parcerias com BRASA e DAHW para execução do Projeto ASA
- Atendimentos a pacientes de Hanseníase em situação de recidiva.
- Orientações diárias.
Teresa Oliveira

terça-feira, 17 de outubro de 2017

ESCLARECIMENTOS ANTES DAS CRÍTICAS!!

Na próxima semana, estarei representando o Hansenpontocom, A CONVITE, VIA OFÍCIO, da Coordenação Geral de Hanseníase e Doenças em Eliminação (CGHDE/DEVIT/SVS/MS), da implementação das atividades de campo do Projeto Abordagens Inovadoras para intensificar esforços para um Brasil livre de Hanseníase, no município de Gurupi/TO.
O referido projeto é uma parceria entre o Ministério da Saúde e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS), com o apoio da Fundação NIPPON.
O objetivo geral é a redução da carga de Hanseníase em municípios:
- do Mato Grosso (Cuiabá);
- Pernambuco ( Recife, Cabo de Santo Agostinho, Paulista, Olinda, Jaboatão dos Guararapes);
- Piauí (Teresina, Floriano, Parnaíba);
- Maranhão (São Luís, Alcântara, São José do Ribamar, Raposa, Paço do Lumiar);
- Pará (Belém, Marabá);
- Tocantins (Palmas, Araguaína, Gurupi, Porto Nacional).
As atividades de campo consistem em uma das etapas do projeto que envolve a atualização em serviços nas áreas de Clínica, Prevenção de Incapacidades e enfrentamento do estigma e discriminação para os profissionais de saúde que atuam nas Unidades de Saúde em atendimento às pessoas com Hanseníase.
Pessoalmente e também como gestora de projeto social, acredito que as equipes que irão a campo durante uma semana ininterrupta, repleta de trabalho e determinação, estão focadas em colaborar o máximo que puderem para o enfrentamento da doença e somar esforços que diretamente podem obter resultados positivos.
Peço aos que, no decorrer de suas demandas pessoais ou grupais tenham críticas ao projeto, que façam diretamente aos gestores do mesmo, porque minhas postagens nas redes sociais serão ESTRITAMENTE PESSOAIS, dentro do que me propus a aceitar o desafio e colaborar.
É muito triste quando fazemos postagens de cunho pessoal e recebemos críticas que deveriam ser encaminhadas diretamente aqueles que coordenam as ações.
Espero, do fundo do meu coração, que respeitem minhas postagens e não façam das mesmas uma forma nebulosa de demonstrar seus descontentamentos, já que, para isso, podem e devem fazer DIRETAMENTE a quem desejam atingir. A menos que, criticando, queiram me criticar também. Neste caso, que o façam olho no olho, onde haja o direito da defesa. Defesa esta que, a partir deste momento, sentindo-me ofendida, não irei polemizar nas redes sociais, com certeza, porque polêmica não resolve. O que resolve é trabalho. E trabalho, seja ele qual for, seja ele do tamanho que for, todos, sem distinção, podem fazer e somar. Cada um de nós é uma formiguinha muito importante. Fora das redes sociais há muito o que fazer para o Universo.
Estou neste trabalho há 15 anos, por direito como filha de ex pacientes e por uma obrigação pessoal que irei cumprir até o fim, tenha críticas ou não.
Que Deus possa iluminar a todos que irão a campo!!
Teresa Oliveira

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Nós, do Projeto Hansenpontocom temos muito orgulho destas honrosas parcerias!
Estaremos todos unidos no próximo dia 19 de agosto de 2017 para uma grande solenidade de investidura e formalização de nossas parcerias.






Bom dia!
Estamos trabalhando muito. E ainda bem, para o "bem".
O objetivo principal do Projeto Hansenpontocom é estar ao lado de grandes parceiros, sejam eles colaboradores individuais ou institucionais, para que, juntos, possamos trabalhar pelas questões da Hanseníase.
Acreditamos no todo, como um processo mais eficaz na eliminação da doença ou no controle dela.
Para ser colaborador do Projeto Hansenpontocom, não precisa de inscrição, de pagamento ou de qualquer outra atribuição. Quando voce curte nossa página do Facebook www.facebook.com/hansenpontocom já está nos ajudando a divulgar o trabalho e conceito metodológico. Quando voce participa do grupo do Usau's Bazar no Facebook, também nos ajuda.
Temos duas metas para este segundo semestre.
A primeira delas, é nossa participação no projeto que reúne Organização Panamericana de Saúde, Ministério da Saúde, Nippon Foundation e outras organizações sociais.
A segunda meta, divulgaremos após o dia 21 de agosto.
Sintam-se abraçados e lembrados diariamente em nossas orações.
Teresa Oliveira
Fundadora do Projeto Hansenpontocom

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017


2017 começou.
 Gostaria de pautar uma reflexão sobre a Lei 11.520/2007, que concedeu a pensão para os pacientes e ex pacientes de Hanseníase que foram isolados compulsoriamente.
A lei foi um avanço, mas também empurrou algumas situações a um retrocesso.
No que diz respeito ao avanço, ela possibilitou uma energia individual e financeira às pessoas injustamente confinadas nas ex colônias, oportunizando um encaixe de situação social um pouco mais amena a todos eles, aos quais chamo de Pais do Brasil, porque foram e são verdadeiros heróis.
Porém, cito o artigo abaixo:
Art. 4ºO Ministério da Saúde, em articulação com os sistemas de saúde dos Estados e dos Municípios, implementará ações específicas em favor dos beneficiários da pensão especial de que trata esta Lei, voltadas à garantia de fornecimento de órteses, próteses e demais ajudas técnicas, bem como à realização de intervenções cirúrgicas e assistência à saúde por meio do Sistema Único de Saúde – SUS. 
EMPURRARAM PARA O SUS um problema gravíssimo que NÃO atende a realidade daqueles que precisam de cirurgias reparadoras. Por mais que queiram frisar os "benefícios" da desospitalização, na verdade, somente abriram as portas das ex colônias e disseram adeus aos que ali, muitos desde a infância, foram jogados e esquecidos. Como vc desospitaliza sem atingir quem sempre foi "hospitalizado"?
Como vc restaura as décadas de isolamento, empurrando estes brasileiros para fora dos muros das ex colônias sem nenhum apoio social eficiente? 
Como vc pensa que alguém, martirizado pela doença, pelo abandono e preconceito, encontrará sózinho, forças interiores para transpor os muros e os portões e buscar atendimento do SUS para ter seus direitos a órteses e próteses garantidos?
Como vc deixa apodrecer antigos mas eficazes centros cirúrgicos que existiam nas ex colônias, com médicos capacitados e inteiramente envolvidos naquela especialidade e substitui por um atendimento precário, cansativo, ineficiente, não especializado?
Esta será nossa primeira batalha de 2017: correr atrás de um entendimento e solução definitiva para este problema. Isto se arrasta há anos e tem sido assunto esquecido no Ministério da Saúde.
Mas vamos refrescar a memóriua de todos, principalmente daqueles que batem no peito que são "genuínos" defensores das questões da Hanseníase.