segunda-feira, 2 de janeiro de 2017


2017 começou.
 Gostaria de pautar uma reflexão sobre a Lei 11.520/2007, que concedeu a pensão para os pacientes e ex pacientes de Hanseníase que foram isolados compulsoriamente.
A lei foi um avanço, mas também empurrou algumas situações a um retrocesso.
No que diz respeito ao avanço, ela possibilitou uma energia individual e financeira às pessoas injustamente confinadas nas ex colônias, oportunizando um encaixe de situação social um pouco mais amena a todos eles, aos quais chamo de Pais do Brasil, porque foram e são verdadeiros heróis.
Porém, cito o artigo abaixo:
Art. 4ºO Ministério da Saúde, em articulação com os sistemas de saúde dos Estados e dos Municípios, implementará ações específicas em favor dos beneficiários da pensão especial de que trata esta Lei, voltadas à garantia de fornecimento de órteses, próteses e demais ajudas técnicas, bem como à realização de intervenções cirúrgicas e assistência à saúde por meio do Sistema Único de Saúde – SUS. 
EMPURRARAM PARA O SUS um problema gravíssimo que NÃO atende a realidade daqueles que precisam de cirurgias reparadoras. Por mais que queiram frisar os "benefícios" da desospitalização, na verdade, somente abriram as portas das ex colônias e disseram adeus aos que ali, muitos desde a infância, foram jogados e esquecidos. Como vc desospitaliza sem atingir quem sempre foi "hospitalizado"?
Como vc restaura as décadas de isolamento, empurrando estes brasileiros para fora dos muros das ex colônias sem nenhum apoio social eficiente? 
Como vc pensa que alguém, martirizado pela doença, pelo abandono e preconceito, encontrará sózinho, forças interiores para transpor os muros e os portões e buscar atendimento do SUS para ter seus direitos a órteses e próteses garantidos?
Como vc deixa apodrecer antigos mas eficazes centros cirúrgicos que existiam nas ex colônias, com médicos capacitados e inteiramente envolvidos naquela especialidade e substitui por um atendimento precário, cansativo, ineficiente, não especializado?
Esta será nossa primeira batalha de 2017: correr atrás de um entendimento e solução definitiva para este problema. Isto se arrasta há anos e tem sido assunto esquecido no Ministério da Saúde.
Mas vamos refrescar a memóriua de todos, principalmente daqueles que batem no peito que são "genuínos" defensores das questões da Hanseníase.